Que o leite materno é o alimento mais perfeito do mundo para bebês até 6 meses já parece que não há dúvidas. Mas e quando o aleitamento materno não é possível ou a complementação é necessária?
As fórmulas infantis (Aptamil, Nan, Enfamil…) têm a intenção de copiar funcionalmente o leite materno. Isso está longe de ser possível, mas conhecimentos em nutrição funcional (que estuda o impacto do alimento na saúde do indivíduo e no desempenho físico e mental, além de seu valor nutritivo intrínseco), como o reconhecimento da importância dos prebióticos, parecem passos importantes neste sentido.
Fórmulas são muito caras. Posso dar leite comum ou leite em pó para o bebê?
O leite de vaca em natureza é profundamente desequilibrado, não deverá ser introduzido antes dos 12 meses de vida. É um dos grandes responsáveis pela alta incidência de anemia ferropriva em menores de 2 anos no Brasil.
O ideal é que, se possível, as fórmulas lácteas infantis sejam usadas para além dos 12 meses e até aos 24 a 36 meses de vida.
Veja por que:
Gorduras
O leite de vaca contém baixos teores de ácidos graxos essenciais, como o ácido linoleico (dez vezes inferior às fórmulas), sendo necessário o acréscimo de óleo vegetal para atendimento das necessidades do recém-nascido.
Carboidratos
Sua quantidade é insuficiente quando o leite é diluído, sendo necessário o acréscimo de outros açúcares frequentemente mais danosos à saúde, como a sacarose (você viu nosso post: 10 motivos para não dar açúcar para seu filho?).
Proteínas
O leite de vaca fornece altas taxas de proteínas, com consequente risco de lesão renal (o sistema renal ainda imaturo nos bebês) e de desenvolvimento de obesidade no futuro. Tem muita caseína, uma proteína de mais difícil digestão.
Minerais e eletrólitos
Fornece altas taxas de sódio, contribuindo para a elevação da demanda sobre os rins, o que pode ser especialmente grave em recém-nascidos de baixo peso.
Vitaminas
Apresenta baixos níveis de vitaminas D, E e C.
Oligoelementos
São fornecidas quantidades insuficientes no leite de vaca e com baixa biodisponibilidade (ou seja, pouco do que é ingerido vai ser absorvido pelo organismo) de todos os oligoelementos, principalmente o ferro (muito importante para evitar anemia) e o zinco (essencial para a imunidadade).
Resumindo: Tem diferença entre fórmula e leite em pó?
Além da diferença óbvia que é o preço, tem muitas outras.
Prefiro dar fórmulas à base de soja ao invés de leite. Tudo bem?
Em termos de qualidade nutricional, a proteína do leite é superior à da soja. Por isso as fórmulas infantis a base de soja não devem ser uma opção como substitutas da fórmula infantil em bebês que não tenham intolerância ou alergia ao leite. Se os pais decidem por uma alimentação estritamente vegetariana e fazem a opção por soja, devem estar cientes que, principalmente em bebês, esta decisão requer cuidados, como a suplementação de vitamina B12, ferro e DHA.
Também não há nenhuma evidência que recomende a utilização de fórmulas de soja na prevenção da Alergia a Proteína do Leite de Vaca (APLV).
Você viu nosso post em que falamos sobre a importância da microbiota intestinal em nossa série de imunidade?
Para as crianças que usam fórmulas infantis, a introdução de alimentos não lácteos deverá seguir o mesmo padrão preconizado para aquelas que estão em aleitamento materno exclusivo, ou seja, a partir dos 6 meses de idade.






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