Através do corte do cordão umbilical, a mãe e o bebê encerram uma ligação interna para iniciar a externa. Agora o bebê precisará lutar um pouco mais para sobreviver e sua existência dependerá de fatores externos, porém ele e sua mãe continuarão sendo protagonistas nas novas cenas que viverão.
Porém se esse bebê é prematuro, sua mãe logo se torna coadjuvante, ganha até um nome diferente, mãe de UTIN. Logo, também experimenta diferentes sensações. O corte do cordão umbilical, por exemplo, é muito mais profundo, tão profundo que chega a doer, e ouso dizer que doe na mãe e no bebê, que não sentirá o calor da sua mãe nos primeiros minutos de vida, muito menos se alimentará através dos seus seios, e na mãe que não ouve o choro de vida tão alto, forte, que era tão esperado, que não poderá acalentar seu bebê nem por segundos em seu colo, e que também não tem a presença do seu esposo ao seu lado no momento mais importante da vida daquele casal. Eita! Não sejamos egoístas, o esposo que está se tornando pai neste exato momento também sofre bastante, por não presenciar o nascimento do fruto do seu amor, por não segurar e transmitir força à sua companheira, e por que só terá a chance de ver o rostinho de seu bebê coberto de aparelhos que auxiliam a respiração. É uma dor terrível que essa nova família nem imagina que só está começando.
Após o corte umbilical diferente como falamos acima, não sera iniciada outra ligação, mas sim uma separação. O bebê segue para UTIN, para ter os cuidados necessários, e a mãe segue para se recompor do parto, e mal sabe que terá que conviver com visitas à seu filho, e
vê-lo ali dentro de uma encubadora, e não o tocará até que alguma técnica de enfermagem a avise: - mãe, você pode tocar, e conversar com seu filho. A dor é inexplicável, insuportável e não era planejada.
Esse corte também traz à mãe de UTIN, a volta para casa de braços vazios (não conheci uma mãe de UTIN sequer que não tenha se desesperado nesse dia), a dor é de perda, de desespero. A partir dai as noites sem sono não serão pelo choro do bebê faminto, mas sim devido a solidão de está sem seu bebê e saber que ele também estará sem ela, a dor da solidão martiriza muito mais uma mãe que tem medo de ficar só (Eu), ela não conseguirá dormir pois imagina seu bebê sozinho naquela UTIN, então pede a Deus que faça companhia a seu bebê todas as noites, contando historinhas e canções para ele (eu ainda acho que um dia minha filha me dirá que realmente ouvia papai do céu cantar e conversar com ela naquelas noites de UTIN). Enquanto as lágrimas quentes caem em seu rosto durante as noites mais frias e terríveis vivida, seu bebê está na incubadora que imita o calor do seu útero de onde o bebê não estava pronto pra sair ainda.
O corte não nos permite tocar em suas roupas e utensílios sem sofrer, pois não sabemos quando ele os usará e até mesmo se os usará. Logo pensamos, que nos preocupamos com tudo, cada detalhe do enxoval, mas que naquele momento nada será usado, nem mesmo os truques maternos que tentamos aprender durante a gestação, pois ele não será cuidado por nossas mãos.
Ah, a "futilidade" também é atingida pelo corte do cordão umbilical. Pois, nós mães de UTIN não temos direito ao bolo no quarto da maternidade, as bolas de decoração, plaquinha na porta, lembrancinhas, tudo que sonhamos e planejamos vai junto com o corte do cordão umbilical.
Mas, (e quando Deus quer, nos alcança com seu amor, e sempre há um MAS positivo) graças a Deus, esse cordão é "religado", quando o bebê passa a evoluir e as mãos de Deus vão trazendo a cura necessária. E assim, o que o dia mal tirou, será colocado de volta nas mãos das mães de UTIN, no dia preparado pelo Senhor, para receber a dádiva da vida e a intensidade dos sentimentos será bem maior.
Lívia Silva, mãe de Laila, prematura de 32 semanas, nascida com infecção no sistema nervoso, Mas (Deus nos deu o MAS positivo) com alta de cura após 45 dias de internação hospitalar.
OBS: O texto mostra as peculiaridades das primeiras horas da vida de Laila, não acontece assim com todos os bebês prematuros.
Texto encaminhado pela mãe de Laila - Lívia




