NOSSOS BEBÊS

NOSSOS BEBÊS
Na ordem: Felipe, Hiana, Laila, Laura, Gabriel, Maria Alice, Miguel, Guilherme e Samar

Um pouco sobre nós:

Minha foto
Mães de UtiNeonatal
Primeiramente Mães. Chegou a grande Hora e aconteceu o que não esperávamos, viramos mães de Uti. E ninguém, nunca, está preparado pra isso. Buscamos forças não sei onde, principalmente na fé, nos familiares, no nosso bebê que aguarda ancioso. Então não teria uma só palavra para descrever quem são as mães de Uti. Somos simplesmente mães.
Ver meu perfil completo

Amor

Amor

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

A dor do corte do cordão umbilical



Através do corte do cordão umbilical, a mãe e o bebê encerram uma ligação interna para iniciar a externa. Agora o bebê precisará lutar um pouco mais para sobreviver e sua existência dependerá de fatores externos, porém ele e sua mãe continuarão sendo protagonistas nas novas cenas que viverão.
Porém se esse bebê é prematuro, sua mãe logo se torna coadjuvante, ganha até um nome diferente, mãe de UTIN. Logo, também experimenta diferentes sensações. O corte do cordão umbilical, por exemplo, é muito mais profundo, tão profundo que chega a doer, e ouso dizer que doe na mãe e no bebê, que não sentirá o calor da sua mãe nos primeiros minutos de vida, muito menos se alimentará através dos seus seios, e na mãe que não ouve o choro de vida tão alto, forte, que era tão esperado, que não poderá acalentar seu bebê nem por segundos em seu colo, e que também não tem a presença do seu esposo ao seu lado no momento mais importante da vida daquele casal. Eita! Não sejamos egoístas, o esposo que está se tornando pai neste exato momento também sofre bastante, por não presenciar o nascimento do fruto do seu amor, por não segurar e transmitir força à sua companheira, e por que só terá a chance de ver o rostinho de seu bebê coberto de aparelhos que auxiliam a respiração. É uma dor terrível que essa nova família nem imagina que só está começando.
Após o corte umbilical diferente como falamos acima, não sera iniciada outra ligação, mas sim uma separação. O bebê segue para UTIN, para ter os cuidados necessários, e a mãe segue para se recompor do parto, e mal sabe que terá que conviver com visitas à seu filho, e
vê-lo ali dentro de uma encubadora, e não o tocará até que alguma técnica de enfermagem a avise: - mãe, você pode tocar, e conversar com seu filho. A dor é inexplicável, insuportável e não era planejada.
Esse corte também traz à mãe de UTIN, a volta para casa de braços vazios (não conheci uma mãe de UTIN sequer que não tenha se desesperado nesse dia), a dor é de perda, de desespero. A partir dai as noites sem sono não serão pelo choro do bebê faminto, mas sim devido a solidão de está sem seu bebê e saber que ele também estará sem ela, a dor da solidão martiriza muito mais uma mãe que tem medo de ficar só (Eu), ela não conseguirá dormir pois imagina seu bebê sozinho naquela UTIN, então pede a Deus que faça companhia a seu bebê todas as noites, contando historinhas e canções para ele (eu ainda acho que um dia minha filha me dirá que realmente ouvia papai do céu cantar e conversar com ela naquelas noites de UTIN). Enquanto as lágrimas quentes caem em seu rosto durante as noites mais frias e terríveis vivida, seu bebê está na incubadora que imita o calor do seu útero de onde o bebê não estava pronto pra sair ainda.
O corte não nos permite tocar em suas roupas e utensílios sem sofrer, pois não sabemos quando ele os usará e até mesmo se os usará. Logo pensamos, que nos preocupamos com tudo, cada detalhe do enxoval, mas que naquele momento nada será usado, nem mesmo os truques maternos que tentamos aprender durante a gestação, pois ele não será cuidado por nossas mãos.
Ah, a "futilidade" também é atingida pelo corte do cordão umbilical. Pois, nós mães de UTIN não temos direito ao bolo no quarto da maternidade, as bolas de decoração, plaquinha na porta, lembrancinhas, tudo que sonhamos e planejamos vai junto com o corte do cordão umbilical.
Mas, (e quando Deus quer, nos alcança com seu amor, e sempre há um MAS positivo) graças a Deus, esse cordão é "religado", quando o bebê passa a evoluir e as mãos de Deus vão trazendo a cura necessária. E assim, o que o dia mal tirou, será colocado de volta nas mãos das mães de UTIN, no dia preparado pelo Senhor, para receber a dádiva da vida e a intensidade dos sentimentos será bem maior.

Lívia Silva, mãe de Laila, prematura de 32 semanas, nascida com infecção no sistema nervoso, Mas (Deus nos deu o MAS positivo) com alta de cura após 45 dias de internação hospitalar.
OBS: O texto mostra as peculiaridades das primeiras horas da vida de Laila, não acontece assim com todos os bebês prematuros.

Texto encaminhado pela mãe de Laila - Lívia

sábado, 19 de setembro de 2015

Agradecimento

Meus anjos e minha anjas,
O que falar de vcs? Como agradecer?
Não tenho palavras muito menos gestos ou presentes que possam retribuir o que vcs fizeram por nós. Eu só tenho a agradecer primeiramente a Deus que iluminou nosso caminho colocando pessoas maravilhosas no nosso caminho. Depois de tanto desespero por não conseguir médico ter nosso primeiro anjo dr. Manuel que me indicou a Dra Gisela e a mesma que na hora me recebeu muito bem e foi iluminada a me chamar pra urgência naquele dia iluminado se não fosse isso não quero nem pensar, depois dr. César que foi tão atencioso na ultra e percebeu o sofrimento da nossa filha. A todas enfermeiras também meu agradecimento. Fui muito bem atendida com carinho, atenção e respeito que até hj quando me veem me perguntam e se sensibilizam. Ads meninas da limpeza e das refeições, do berçário, foram e são todas muito atenciosas. As meninas da ordenha que tiveram paciência com nossa aflição e medos. Atenção e carinho com nosso sofrimento que por muitas vezes choramos quando estavamos naquele silêncio e momento de angústia por não sair leite suficiente e uma agonia por uma piora ou retrocesso de nossos filhos.
Agora como agradecer a nossos drs. ? Iluminados fizeram tudo que puderam e conseguiram. Muitas vezes tremi com esse rodizio e desacreditei, eu confesso, com médicos que nunca tinha visto e nem sabiam o que acontecia com a Laura. Ai me perguntava: como vão cuidar dela se nem sabem o que acontece com ela? Recebi em troca atenção e explicações sempre com paciência e cuidado. E sempre muito atenciosos. Meu muito obrigado por dedicarem tanto a salvar a vida dos nossos filhos. Dra. Carla que nem conhecia mas já sabia do tamanho do seu amor pela UTI e quando ela chegou só fez iluminar e clarear trazendo felicidade e esperança. Sua alegria em fazer o que ama nos contagiou e se vê quanto vc ama esses meninos e faz o que ama e isso contagia. Obrigado.

Agora minhas anjas.... as anjas DA LAURA. Deus colocou vcs no caminho da minha filha pra diminuir um pouco o que ela precisava passar. Obrigado por tudo.
Eu nunca vou ter como agradecer vcs. Não terá quantas vezes eu fale ou repita ou abrace ou beije ou NADA será suficiente pra agradecer tudo. Tudo. Tudo. Que fizeram.
Atenção.  Cuidado. Amor. Paciência. Vcs são: pais, avós, Tios e principalmente pais quando não estamos presentes. Cuidando. Amando. Paparicando.
Cada olhar de vcs transformam a gente. Cada palavra tocam nossos corações com tanto intensidade que não sei se vcs tem ideia de quanto fazem isso ou quanto tem importância pra gente.
Então vou tentar ver se consigo 

Ofereço:

·         Meu sorriso de alegria ao ver minha filha sair do respirador.

·         Meu choro de alegria quando pego minha filha pela primeira vez no colo.
·         Minha respiração aliviada quando recebi do braços de vcs minha filha com respiração tranquila e aqueles olhares arregalados pra primeira mamada e meu coração batia tão forte que parecia que eu que precisava de tratamento.
·         Minha felicidade pois hj saio daqui com minha filha nos braços com saúde e radiante e se não fosse vcs ...

Meu total agradecimento e admiração as maizinhas de Laura que quando minha mão não alcançava sabia que podia ficar tranquila que ela estava em boas mãos.  Estava segura, acolhida e amada por pessoas tão especiais que deixaram seu lar, seus filhos, maridos, e problemas do lado de fora pra se dedicar a esses pequenos com o se fosse seus.

À vcs verdadeiras mães de uti : 
Meu, Muuuuuuuuuuuuuuuuuuuito Obrigado.!”
Vcs estaram sempre em minhas orações e agradecimentos. Fiquem com Deus e que se eu não posso espero que ELE continue guiando e fortalecendo vcs e que consiga retribuir tudo que vcs precisarem dele.
Como diz a JÔ aonde nossa mão não chega a DELE chega.  É só confiar.

Mãe


MÃE É SINÔNIMO DE AMOR SEM LIMITES, DE APOIO, CARINHO, MÃO AMIGA E DE UM COLINHO REVIGORANTE. MÃE TAMBÉM É AQUELA QUE ENFRENTA TUDO E TODOS PELA SUA CRIA, QUE NÃO PERMITE QUE NADA DE MAL ACONTEÇA A SUA PROLE, QUE DÁ SUA VIDA PARA SALVAR A DO FILHO.PARA A MAIORIA DESSAS MÃES GUERREIRAS A ESPERA PELO FILHO É PLANEJADA, CHEIA DE EXPECTATIVAS E REPLETA DE ALEGRIAS. VER O ROSTO DO FILHO PELA PRIMEIRA VEZ, SENTIR SEU CHEIRO E PEGÁ-LO NO COLO SÃO MOMENTOS ÚNICOS E MUITO ESPERADOS. PORÉM, EM UMA FRAÇÃO DE SEGUNDO, TUDO PODE MUDAR E TRANSFORMAR O MOMENTO DE ALEGRIA EM ANGÚSTIA E MEDO, DEIXANDO TUDO EM SUSPENSE. NESSES MOMENTOS AS MAMÃES ASSUMEM TODOS AQUELES SINÔNIMOS, VIRAM VERDADEIRAS LEOAS E SUPERAM PROVAÇÕES, DADAS COMO IMPOSSÍVEIS DE SUPORTAR. 
É ASSIM COM AS “MÃES DE UTI”.
E FOI PARA ISSO QUE CRIAMOS ESSE BLOG.
SOMOS MÃES DE UTINEO DO HOSPITAL MEMORIAL SÃO JOSÉ EM PERNAMBUCO.
FOI LÁ QUE NOS CONHECEMOS EM UMA LINDA ÉPOCA DE NOSSAS VIDAS, MOMENTO TÃO ESPERADO E QUE COM MUDANÇAS DE NOSSO DESTIDOS NOS VIMOS EM UMA SITUAÇÃO DA QUAL NÃO ESPERÁVAMOS.
VIRAMOS MÃES DE UTI.
JUNTAS FICAMOS UNIDAS E PERMANECEMOS UNIDAS POR UM GRUPO DO WHATSAPP, TROCANDO INFORMAÇÕES E FOTOS DIARIAMENTE.
SOMOS:
JAMILY MÃE DE LAURA - NASCIDA EM 20 DE JUNHO DE 2015 COM 35 SEMANAS, 2.500 KG E 45 CM.
LUCIANE Mãe Felipe
PRISCILA mãe guilherme
ANA mãe maria alice
LÍVIA mãe laila
CAMILA  mãe gabriel
SUELEm  mãe hiana

débora mãe samar

Mariana mãe miguel



Por que deixar chorar até que se durma realmente funciona?

Por que deixar chorar até que se durma realmente funciona? - ou 
"CÉUS! PARI O DARTH VADER!"

A mãe passou 9 meses sonhando com a chegada do filho, preparando o ambiente para recebê-lo. Comprou um berço lindo, seguro e confortável, pronto para aquecê-lo quando chegasse, onde ele dormiria como anjo em suas sonecas diurnas e no longo e profundo sono noturno. Providenciou um pijaminha quentinho, que o ajudaria a dormir mais relaxado. Ganhou CDs de músicas para bebês, que sonhava em colocar para embalar o sono da cria.
Ela sonhava com uma rotina pós-nascimento linda: banhos de sol todos os dias (já reparou como nos sonhos não chove?), mamadas frequentes e abundantes, brincadeirinhas fofas, beijos, abraços, muito amor, o banhinho de fim de tarde, o pijaminha quentinho, o embalar para dormir, a música tranquila, a mãe cantando uma suave canção de ninar enquanto embala docemente seu bebê que, aos poucos, fecha os olhinhos e simplesmente dorme. Sonho perfeito: o bebê relaxa, dorme, tranquilo e feliz, até o dia seguinte, enquanto sua mãe aproveita o horário noturno para um tratamento de beleza, um retoque nas unhas, um livrinho bacana, um filme divertido, um estudo mais profundo ou um chamego com o companheiro.
Então, enfim, chegou o bebê.
E, junto com o bebê, chegou a vida real, pra acabar com tudo.
Tchau, sonho, um beijo pra você!
Por que raios a vida insiste em se meter nos nossos sonhos?! Nunca dá muito certo isso.

E então os planos não saem bem como o esperado e, de repente, o bebê não quer dormir.
Ele simplesmente quer ficar acordado com sua mãe, em seu colo quente e confortável, porque, afinal, ela é seu porto seguro e ele ainda não sabe que depois do dormir vem o acordar, que o devolverá a mãe que o sono levou. Ele sabe, apenas, que "DORMIU = SEPAROU".
Com a recusa do bebê em dormir, lá se foi para a Terra do Nunca o sonho feliz de Pollyanna.
Polly - vou chamá-la carinhosamente, porque acredito que ela habite em quase todas nós, ainda que se esconda bem - começa a se questionar sobre o que está fazendo de errado.
Será que mamou demais?
Será que mamou de menos?
Será que é a fralda?
Cólicas?
Coceira?
Dor em algum lugar?
Ansiedade?
Será um "bebê high need"? - não gosto muito desse nome, mas voilá.
"O que está acontecendo com meu filho?!"
Então, aquela amiga super experiente em assuntos de maternidade, ao saber que o filho de Polly não quer saber de dormir no horário e na rotina estabelecida (no sonho), que não quer saber de se comportar e de aceitar a rotina da família, prepara sua voadora, pega impulso, sai correndo e PÁ!, acerta em cheio, com os dois pés, o peito cheio de leite de Polly. E dispara (sem nem que alguém tenha pedido sua opinião): "Polly, amiga, meus filhos dormiam a noite IN-TEI-RI-NHA! Isso é MANHA, minha filha. Você precisa ensinar esse menino a dormir!".
E então, Polly se sente ainda pior...
Outras amigas, na tentativa de ajudá-la (todo mundo quer ajudar), também palpitam: "Polly, amiga, esse menino está te manipulando! Está de manha, de birra! Você não pode ceder, com o risco de estar criando um pequeno tirano".
Além de se sentir culpada e de pegar trauma da palavra "amiga" dita logo após seu nome, Polly entristece...
Puxa vida, com que facilidade seu bebezinho se transformou de um bebê normal em um manipulador de adultos! Será mesmo seu filho um pequeno tirano? Um serzinho perverso? Que usa de manhas e artimanhas para manipulá-la? Que fica confabulando sobre qual a melhor estratégia para manipular a tonta da mãe?
Polly entra em crise:
"Céus! Terei parido Darth Vader?!"
Polly se deprime...
Passa a achar que seu filho não é "como os demais", afinal "os demais" (os de suas amigas) dormem a noite toda. De duas uma: ou ela está fazendo alguma coisa errada mesmo, ou terá que admitir: pariu o rei do lado malvado da força. Um bebê indisciplinado, manhoso, birrento, manipulador.

Polly então começa a busca por aprender a fazer o filho dormir. E descobre que existem algumas técnicas divulgadas em livros que GARANTEM que o bebê dormirá facilmente em poucas noites.

Polly ouve e lê alguns comentários sobre esses livros, gente dizendo que "Funcionou! É um milagre!", enche-se de esperança, o compra, lê e começa a "domar o seu bebê", no melhor estilo "Como domar o seu dragão".
Então ela aprende que tudo bem deixar seu bebê chorar até aprender a dormir porque, afinal, "por trás de um filho que dorme tranquilo, há uma mãe que dorme tranquila". Polly já tinha ouvido algumas mulheres falando sobre os prejuízos de se deixar chorar para que se "aprenda" a dormir. Gente que pesquisava sobre o assunto e que sabia da existência de muitos trabalhos científicos comprovando os prejuízos do choro como forma de treinamento. Mas Polly não as conhece, como pode dar ouvidos a gente que não conhece?

"E essa história de ciência, vocês vão me desculpar, mas isso não serve pra cuidar de filho, não. E olha: até aquela grande revista já mostrou que não tem problema deixar criança chorar. Até parece que essa mulherada vai saber mais que essa revista, né? Estou tranquila, estou respaldada, vou continuar com meu plano. Afinal, o doutor pedí diz aqui no livro que é infalível e minha amiga disse que funciona, que é um milagre!".

Então Polly começa a colocar em prática o método de treinamento.
Mas aí acontece algo pelo qual ela não esperava: ela não se sente bem.
Não se sente bem porque aquilo, para ela, não parece natural.
Não faz sentido, considerando seus próprios valores, fazer um bebê "aprender" com base no choro. Porque o choro, oras, é um sinalizador de que algo não está bem! Como ignorá-lo? Ler é uma coisa, fazer é outra. Dói em seu coração saber que seu bebê está chorando na tentativa de mostrar que precisa dela, e ela não o atender.
Então Polly decide abandonar as regras ditadas e seguir seu coração.
Vai até o berço, olha para seu filho e sente: não, você não é Darth! Vem com a mamãe, Luke!
O pega com carinho, o aninha em seus braços, junto ao seu peito, e dá seu colo a ele. E então, Luke para de chorar...
Luke queria o colo da mãe, a presença física da mãe, seu calor e as batidas do seu coração. Nesse momento, Polly percebe que, ainda que Luke não durma no horário que ela havia planejado, nem da maneira como havia pensado, uma coisa valiosa acontece: ela está tranquila com sua decisão. Aquela velha história de "o caminho escolhido tem um coração?"...
E por trás de uma mãe tranquila com sua decisão, há, com certeza, um bebê tranquilo.
Polly, então, passa a rever o seu percurso e chega à conclusão de que o erro estava no sonho. Porque embora fosse um sonho lindo, ele pecava em um ponto: desconsiderava totalmente o próprio bebê e sua personalidade. Em nenhum momento se pensou que aquele bebê não conhecia a rotina do lar onde ele chegou, como acontece exatamente com todos os bebês. Ele poderia se adaptar. Ou não. E o fato de se adaptar rapidamente não o torna um super bebê expert pró-master versão uploaded. Ou, ao contrário, o fato de não se adaptar não faz dele um bebê-problema.
Ele apenas é assim. Não quer dormir, quer ficar com a mãe, quer colo. Eu o entendo: colo de mãe é mesmo coisa boa demais.
Mas como é que fica aquele papo de que deixar chorar até que durma funciona mesmo?
Se funciona?
Claro que funciona!
Funciona sim.
E eu vou te explicar porque funciona.
Para isso, façamos algumas analogias.
  1.  Um amigo seu pede para que você faça um grande favor a ele, coisa que vai demandar tempo, esforço e deixar suas próprias coisas de lado para ajudá-lo. Você faz de bom grado. Terminada a tarefa, seu amigo dá  tchau e vai-se embora, sem sequer agradecê-la ou abraçá-la. Qual a chance de você ajudá-lo novamente?
  2. Você conquista uma grande vitória no trabalho, chega em casa animada, feliz, e compartilha com seu companheiro a sua alegria. Conta tudo, nos mínimos detalhes. Assim que termina de contar, seu companheiro diz: "Dá um passinho pro lado, por favor? Tá passando Palmeiras e Santos". Qual a chance de você fazer a mesma coisa no dia seguinte, e no outro, e durante toda a semana?
  3. Uma amiga querida combina de te ligar para um café, já que faz tempo que quer te reencontrar. Ela liga uma vez, liga duas, liga três, liga quatro, liga cinco, mas você nunca pode. Qual a chance dela continuar tentando?
  4. Um aluno de 8 anos, em meio à aula, cria coragem e levanta a mão para fazer uma pergunta à professora. Ele pergunta e, na sequência, a professora vira as costas e continua falando sobre o que estava falando antes. Qual a chance dessa criança perguntar novamente?
  5. Você votou em um candidato político. Durante seu mandato, ele foi condenado pela justiça, teve seu impeachment decretado e ficou sem poder se candidatar por anos, por ter roubado uma imensa quantia de dinheiro que era destinada para projetos que ajudariam a melhorar a qualidade de vida dos cidadãos brasileiros. Qual a chance de você votar nele novamente? (Ok, Brasil, pule para a próxima questão, não precisa responder...)

Ok. Acho que deu pra entender a semelhança em todos esses casos, não?

Sabe por que a chance de que esses mesmos comportamentos aconteçam novamente é mínima?
Porque aconteceu o que chamamos de EXTINÇÃO do comportamento.
A extinção de um comportamento acontece quando uma resposta deixa de ser reforçada, ou seja, quando há OMISSÃO do reforço. No caso do aluno de 8 anos que fez uma pergunta, por exemplo, o reforço para que ele continuasse participativo e interessado seria a professora ter dedicado atenção e empatia para responder ao seu questionamento. Como o reforço não aconteceu, então aquele comportamento tende a ser EXTINTO. Ou seja, é um procedimento eficaz para obter a diminuição gradual de algo. "Ahhh, olhaí! Viu?! Então, se eu quero que meu filho pare de chorar e aprenda a dormir, o processo de EXTINÇÃO do comportamento, por meio de não acalentá-lo, não pegá-lo no colinho, está certo mesmo! Ele vai parar de chorar e, enfim, irá dormir!".
Calma, amiga, ainda não terminamos. É preciso saber tudo sobre o processo...

Volte aos exemplos de 1 a 5 e responda: o que terá sentido aquela pessoa cujo comportamento não obteve resposta e que, provavelmente, também será extinto?
Como essa pessoa se sentiu? O que sentiu no momento em que a resposta que ela esperava que acontecesse, não aconteceu? É bom esse sentimento? Ele dá origem a boas coisas?
Como você se sentiu quando seu amigo não te agradeceu ou abraçou e como ficou sua relação com ele depois?
Como você se sentiu quando seu companheiro ou companheira não te deram o retorno emocional que você esperava nesse momento importante da sua vida? Será que rolou um DR depois?
Como será que sua amiga se sentiu - ou se sente - sabendo que você não consegue destinar um tempo a ela?
Como se sentiu o gurizinho de 8 anos quando a professora virou as costas à sua dúvida?
Como você se sentiu quando o seu candidato te roubou, e aos seus amigos, e aos seus filhos, e àqueles que passam dificuldades?
Não. Não são bons sentimentos...

Essa é a dimensão do problema.
Se deixar chorar funciona? Claro que funciona. Um comportamento realmente se extingue quando a resposta esperada não vem. Quando um bebê chora por algumas horas, por alguns dias, querendo o colo da mãe e a mãe, porque está colocando em prática um método que promete salvá-la, não dá aquilo que o bebê pede, ele tende a parar de chorar mesmo.
Agora, como será que ele se sente? O que te faz crer que a frustração e chateação que você sente quando não recebe resposta é diferente da dele?
Onde entra a Regra de Ouro nessa relação? Aquela, que sugere que tratemos os outros da maneira como queremos ser tratados (sádicos, vão dar uma voltinha agora, essa pergunta não é para vocês).

Os métodos baseados na extinção do comportamento realmente são válidos. Quase sempre.
Mas será mesmo que devem ser utilizados sempre, como um "guia"?
Pollyana não conseguiu. Ela se sentiu ferida por imaginar que os sentimentos do seu filho também poderiam estar sendo feridos.

Nesse método baseado em tentar extinguir o comportamento de chorar daquele bebê, podem acontecer alguns problemas, totalmente previstos pela teoria psicológica.
Um exemplo: se a mãe decidiu (mesmo que ela mesma esteja sofrendo com isso) ignorar o choro, ou não pegá-lo no colo, deixando o bebê chorar até que durma, mas o pai não conseguiu, ou a avó, ou a amiga, ou qualquer pessoa por perto que se sentiu aflita com o choro, e essa pessoa invadiu o quarto e pegou a criança no colinho, PREVEJA O EFEITO DISSO. A criança sabe que pode ser acalmada por um colinho, a família sabe que pode acalmar o bebê com o colinho, e o bebê sabe quem deu e quem não deu o colinho. E se você acha que, assim, está criando um tirano: desculpe, mas não é ele quem está no lado cruel da força. Não acho muito coerente demonizar as crianças quando somos nós quem estamos negando acolhimento para que "aprendam o que queremos que aprendam, com base no nosso sonho ilusório".
Outra questão: a própria teoria afirma que, em algumas situações, pode ser cruel privar aquele indivíduo da atenção da qual precisava - e o CHORO é uma dessas situações. Porque o choro é um claro sinalizador de que algo não vai bem, indica dor, sofrimento emocional ou outra necessidade. Se uma criança está chorando e já é possível dialogar com ela, então que façamos isso. Mas um bebê tem no choro sua principal forma de comunicação. Não parece muito razoável que os ensinemos a deixarem de se comunicar quando precisam de algo, não é?
Uma última questão: o método da extinção do comportamento apresenta mais um ponto delicado. O processo de extinguir um comportamento (em nosso caso, o choro que antecede o dormir sozinho) pode produzir agressividade. Ah vá, que ninguém te contou?!
Por agressividade não estamos considerando somente a violência em si, mas a amplificação do comportamento que se quer extinguir. Ou seja: se o bebê foi deixado chorando, com a esperança de que, omitindo o acolhimento físico, ele vá se acostumar e finalmente dormir, esteja preparada para o fato de que ele pode, SIM, chorar ainda mais, no lugar de simplesmente dormir. Essa é uma situação prevista pela teoria.

É isso.
Se o método funciona?
Claro que funciona.
Ele para de chorar por extinção do comportamento e, com o tempo, dorme sem chorar - ainda que sua mãe não o embale - por condicionamento. A mãe o condicionou a isso. E ele não chora mais quando colocado para dormir sozinho porque aprendeu que não adianta chorar que sua mãe não vai pegá-lo no colo. Se alguém te disse que o que ele aprendia era "a dormir", te enganaram...
As teorias psicológicas não são mera teorização. Nossos comportamentos cotidianos, dos mais simples aos mais complexos, podem ser explicadas por elas.
Mas há que se ter sempre em mente os resultados das escolhas.
Sempre.
Não é ético ignorar uma parte do processo apenas porque ele não é tão bonito quanto você esperava que fosse. Também não adianta fingir que não existe.
O ideal é conhecer a fundo tudo, para que se possa escolher.
Polly não nasceu sabendo ser mãe - assim como todas as suas amigas. E as amigas das amigas.
Mas Polly preferiu ouvir seu coração que, de certa forma, é muito mais coerente com o que acontece no íntimo do seu bebê. Polly pegou para si a RESPONSABILIDADE de ser guiada por seu sentimento em relação ao filho. E pegar para si a responsabilidade disso é assumir os riscos inerentes. Porque uma coisa é dizer: "Mas eu só fiz o que o livro mandou" e outra bem diferente é dizer: "Sim, eu fiz porque eu quis, porque assim senti que devia fazer". Ainda assim, para Polly, foi muito mais tranquilizador do que simplesmente seguir um método que - SIM! - funciona.
Às custas de que? Aí é outra história. Que não é todo mundo que quer contar não...
Hoje, Polly e Luke (ou Padmé) vivem mais conectados. Luke sabe que, na hora de dormir, pode contar com o colinho de sua mãe.
Ainda que ele não durma do jeito que ela sempre sonhou...


E quem disse que nossos sonhos contêm aquilo do que realmente precisamos para sermos felizes?
Afinal, é na vida - e não no sonho - que vivemos.
Cuidado você deve ter, com fórmulas e métodos que salvadores se dizem. E também com os que, de manipuladores, as crianças chamam .
Já diria Mestre Yoda.

De madrugada...

De madrugada............
-Amor, acorda, o bebê está chorando.
-E daí?
-Ele deve estar com fome, prepara a mamadeira pra ele...

-Querida, estou muito cansado...
-Mas já levantei quatro vezes esta noite, faz esse favor pra mim.
-Dixe ele chorar!
-Não é assim que se deve tratar o seu único filho!
-Tá bom, eu vou, mas se ele voltar a chorar, você quem irá.
O marido levantou meio atordoado pelo sono.
- Esse bebê está me dando mais trabalho do que eu esperava!
Se soubesse, teria caído fora a tempo
- pensava ele enquanto esquentava a mamadeira do bebê.
No momento em que ele chegou ao berço o bebê já havia parado de chorar.
- Agora que esquentei a porcaria da mamadeira, o filho da mãe dorme! Não mereço esse castigo.
-Acorda pirralhinho!
Agora que eu esquentei, você vai ter de tomar até a última gota!
- e balançava a criança com a mão, ele não se mexia.
- Acordaaa! Você me acordou, agora eu que estou te acordando!
- ele então reparou que a cabeça da criança estava azulada.
Seu desespero foi imediato, pegou a criança no colo e correu para o seu quarto.
- Querida! Pelo amor de Deus, acorde!
Ele não se mexe! Me ajude!
Ela pulou da cama em desespero e em um segundo já estava com a criança em suas mãos, estava morta.
- Ele morreu! Olha o que você fez com meu bebê!
- Não foi culpa minha, eu cheguei no berço e ele estava assim!
- as lágrimas jorravam de seu rosto.
- Pelo amor de Deus, diga que não está acontecendo.
- Deus! Por que você me castiga deste jeito!
E então se lembrou de tudo que pensou enquanto preparava a mamadeira.
E refletiu sobre todos os quatro meses que passara junto ao bebê, nunca fora um bom Pai, enquanto sua mulher se dedicava com todas as suas forças ele o ignorava, e ignorava também a mulher quando cobrava dele
"- Pegue-o no colo, só um pouquinho",
"- Veja amor, ele está sorrindo"
"- Ele tem cócegas nas bochechas"
"- Amor, você não está olhando"
"- Não chama ele de pirralho, ele é seu filho."
Sentia a culpa tomar conta de si, sentia-se desgraçado, ele era o culpado e não tinha dúvidas disso.
- Fui eu.- disse ele, havia amargura em seus olhos.
- Eu nunca mereci esta criança, nunca dei amor suficiente, nem pra você, e nem pra ela.
- as lágrimas pareciam não ter fim.
- Foi Deus quem me castigou!
Ele era meu filho! Meu filhinho!
- e desabou novamente a chorar.
A essa altura ele esperava por qualquer coisa da mulher.
"Ainda que me matasse, estaria certa"
- pensava. E não era de se espantar se ela o fizesse pois estava com o rosto fechado, seus olhos encharcados pareciam ter morrido junto com o bebê.
Segurava a criança no colo e não dizia uma palavra.
Então ela quebrou o silêncio, sua voz era rouca e melancólica.
-Deus não castiga.
Sei que você nunca deu atenção suficiente ao bebê, ele te adorava e você nunca ligou pra isso.
Mas não te culpo por isso, e apesar de tudo sei que você o amava.
- ela sorrira - Se não o amasse, não estaria em tantas lágrimas agora.
Ele não entendia por que ela o consolava.
"Ela devia me matar"
- pensou - "Assumi que não presto e mesmo assim ela me consola"
E então ele se lembrou de todas as vezes que ela foi amável com ele, e não eram poucas pois em todo o mundo, ele não conseguia pensar em alguém mais pura e gentil.
- "Tinha tudo que poderia desejar e nunca dei valor."
- Nessa hora seu choro dobrou de tamanho, não sabia mais se chorava por seu filho ou por sua esposa, mas entendeu que seu choro era de arrependimento.
Tentou dizer algo pra esposa mas uma nuvem branca tomou conta de seus olhos e de repente tudo ficou negro.
- Amor, acorda, o bebê está chorando...- era voz de sua mulher.
Abriu os olhos, estava deitado em seu quarto.
- Amor, ele deve estar com fome esquenta a mamadeira....
por que você está chorando?
- Nada, já estou indo.
- de longe dava pra escutar a voz de seu filho chorando.
Ele correu até o berço e lá estava seu filho, chorava muito.
Ele o pegou nos braços e beijou a criança.
Ela cessou o choro, estava rindo
"- Ele tem cócegas nas bochechas."
- lembrou. Ele ficou brincando com a criança por um longo tempo até que sua mulher chegou.
- Você não voltou pra cama, fiquei preocupada.
Alguma coisa errada com o bebê?
- Veja amor, ele está sorrindo!
- ele parecia uma criança com um brinquedo que acabara de ganhar
- Meu filho está sorrindo pra mim!
A mulher se comoveu, nunca havia visto seu marido daquele jeito.
Ele fazia cócegas na bochecha do menino e depois o beijava, parecia outro homem. Ela o abraçou.
- Querido, há muito tempo eu venho pedindo a Deus que você passasse a gostar mais dessa criança.
Fico grata por Ele ter me atendido.
"- Deus não castiga"
- lembrou ele em voz alta.
- O que você disse?
- Nada querida. Eu te amo!
-Também te amo. 
DEUS NÃO CASTIGA! Deus evita de nos castigar, pois nos ama muito.

Deus não nos castiga, mas nos ensina sempre, mesmo que sua mensagem venha em forma de pesadelo... prestemos atenção nos mínimos detalhes da vida... é onde Deus nos fala...

Não deixe um bebê chorar


Não deixe um bebê chorar
De todas as teorias do universo materno, as que me assustam são: não dar colo para o bebê, regular a amamentação em horários cronológicos e deixar o bebê chorando. Elas me pegam na alma.

Bebes não sabem falar, nasceram em um ambiente aquático, escuro, cheio de movimento e calor e estão do lado de fora.
Precisam ser alimentados, estranham. Descobrem no peito uma maneira de ter o aconchego pleno.
Basta ver uma cadela: quando o filhote chora a mãe corre e aconchega. Bebês não choram a toa e se choram estão pedindo:
- Por favor me ajude

Ajude a dormir, a enfrentar a solidão, a lidar com a temperatura que oscila.
Quando um bebê pede colo ele está reconhecendo que você é uma segurança.
Quando você nega esse colo ele pode se acostumar com a negligência e resignar-se. Mas ele não está feliz.
Eu adoro o conceito: permita que as crianças sejam dependentes no momento em que podem ser, para que sejam independentes para toda a vida.
O que mais vejo neste mundo são pessoas dependentes e resignadas.
Dependentes de comida, de medicamentos, de sexo, de necessidade de aceitação.
São, algumas vezes, sobreviventes de pequenos ou grandes abandonos.
Algumas vezes vendo esses programas que difundem a idéia da Torturadora de bebês eu sinto algo inexplicável: eu choro com a mãe que chora, com o filho que dorme soluçando.
Não há nada mais fácil e prazeroso para mãe e bebê do que deitar junto com o bebe e dormir agarradinho.
É tão rápido que eles crescem. O que são 3 anos diante de uma vida toda?
Queremos tanto a independência precoce, exaltamos isso como troféu e depois questionamos onde se perdeu esse fio.
Eu vejo idosos abandonados com cuidadores ou em asilos e vejo ali o reflexo de uma sociedade que fecha os olhos para os dependentes trocando o amor por tecnologia, chupeta, mamadeira, berço que balança e no fim, uma cama fria e olhos de uma profissional contratada.
Assim começa a vida, assim ela termina. No meio um grande vazio que tentamos preencher. Um vazio cultivado em nome dessa ilusória independência precoce.

Creditos: Kalu Brum.